O Primo Basílio é um romance no qual beira às margens do realismo e naturalismo. O autor Eça de Queirós critica, com muita precisão e detalhes, através de um narrador onisciente e em terceira pessoa, a decadência da social e familiar da burguesia em urbana em Lisboa, XIX.
Na obra, Luísa, descrita como ‘’a burguesinha da baixa’’ vitima da
necessidade de uma aventura, de uma fantasia romântica, acaba-se por sua vez
distanciando-se da realidade, praticando um adultério com seu primo. A
protagonista é casada há três anos com Jorge, um pacato engenheiro, e juntos
formam um típico casal da sociedade da época, até Luísa saber que seu primo, Basílio,
com quem tivera um relacionamento e chegara até a noivar na juventude, em breve
chegará a Lisboa. Em meio disso, Jorge viaja a trabalho enquanto Basílio, nesse
momento, desembarca em Portugal.
Basílio começa a visitar a prima, inicialmente com comportamento
inocente, mas logo se mostra malicioso e utiliza maneiras para fazer a prima se
entregar. Logo, os dois tornam-se amantes e Luísa fica cada vez mais
deslumbrada pelo primo, este que somente vê Luísa como uma conquista; o casal começa
a se encontrar. Mas, a aventura é estremecida quando Juliana, criada de Luísa,
qual sofre abusos desta há quase vinte anos e sempre teve o desdém da patroa, encontra
uma carta que a jovem mandara para Basílio. A criada inicia então uma espécie
de vingança: chantageia a patroa e a atormenta.
Então, desesperada, a protagonista recorre ao amante, contando que a
criada a chantageia e pedindo ajuda a ele, que a trata com insignificância.
Assim, ela percebe que apenas não passou de um caso e temendo que Jorge, que
nessa altura já voltara de viagem, descubra a traição e submetida aos abusos de
Juliana, adoece. Juliana, que estava em vantagem sobre a patroa sofre uma
cilada e acaba morta.
Nessa altura, já era tarde demais: Luísa, notando que Basílio não
respondera nenhuma carta, piora. Jorge recebe uma carta remetida da França e
logo nota a traição, porém perdoa a esposa já está em frágil estado de saúde. Luísa
morre. Após a morte da esposa, Jorge vai morar com Sebastião, seu amigo.
Basílio retorna a Portugal e sabendo da morte da prima, sem escrúpulos, demonstra
indiferença.
Contudo, o foco de Eça de Queirós era criticar mesmo de forma irônica a
sociedade da época e seus valores, mostrando o casamento como uma instituição
falha. Os valores dos personagens também são colocados questionados, devido ao
espaço que cada um estabelece em seu circulo social. A obra foi extremamente polemica
para a época, pois, mostrava o adultério de forma muito objetiva e escandalosa
para os fatores sociais, dando ênfase ao núcleo burguês.
Referencias bibliográficas:
- MASSAUD, Moisés - "A Literatra Portgesa Atraves dos Textos". Cultrix, São Paulo.
- NICOLA, José - "O Mandarim/O Primo Basílio". Editora Scipione.

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